| Discurso do Presidente da República na sessão de abertura do congresso de iniciação científica |
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Senhor Secretário de Estado da Educação, Senhor Reitor da Universidade de Cabo Verde, Senhoras e Senhores Embaixadores, Senhoras e Senhores Professores, brasileiros e cabo-verdianos, Estimadas e estimados Congressistas e Participantes, Amigas e Amigos, Apraz-me bastante estar aqui convosco e presidir ao acto de abertura deste que é o Primeiro Congresso de Iniciação Científica da Uni-CV, seja pela novidade que é, seja pelas enormes potencialidades e esperanças de que é portador. Ora, as razões deste meu sentimento de confiança são várias e gostaria de as partilhar convosco. [A sua comunicação, Senhor Reitor, dá-me mais uma razão para continuar optimista quanto ao futuro de Cabo Verde e acreditar nas capacidades da sua Juventude]. Em primeiro lugar, estou cada vez mais convicto de que não possuindo Cabo Verde grandes recursos naturais, ou mesmo que os tivesse, o que a prazo permitirá a este país dar o salto de qualidade que almeja dar é, sem dúvida, a sua capacidade de absorver a ciência e de instituir a investigação ligada ao sector produtivo e dos serviços, como prática corrente, a fim de progredir em competitividade e superar o seu deficit tecnológico. Com isso, reconheço que a ciência que se faz em Cabo Verde, fruto de louváveis esforços, ainda é incipiente e falta-lhe o devido enquadramento institucional. Em segundo lugar, porque a ciência e a investigação, sendo apostas só susceptíveis de serem ganhas a prazo, é importante, por isso, envolver os jovens licenciados num efectivo movimento catalisador em favor da ciência. Ora, sem um programa de sensibilização, mobilização e inclusão dos jovens em actividades de investigação, as portas do futuro nesta matéria estariam dificultadas. Afinal de contas, quem não semeia nem arroteia o campo não pode esperar por uma boa colheita. Tendo este entendimento como pano de fundo, gostaria, desde já, de felicitar os organizadores deste evento e de lhes agradecer o convite que me formularam para tomar a palavra neste acto. A iniciativa é, sem dúvida, fecunda e plena de virtualidades no seu propósito. Diria que, de certo modo, é o começo de algo novo. Contudo, para que se reverta, como se espera, em sucesso efectivo é preciso que seja objecto de uma genuína e interessada adesão dos jovens que nela participam. Ao dizer genuína, quero sublinhar a dimensão de vontade e de persistência que deve acompanhar tal adesão. Só deste modo, eles, os jovens, suportarão a dureza do trabalho científico, que reclama organização, rigor, autoconfiança, perseverança e espírito de sacrifício. De contrário, um programa desta natureza contaria, apesar de suas boas intenções, com inúmeras deserções, retirando-lhe o efeito positivo e incentivador que potencialmente contém. Quer-me parecer que a ciência é uma boa actividade para a socialização da juventude, uma vez que ela implica determinação, ousadia, cooperação e talento, qualidades que eu resumiria em paixão pelo saber e curiosidade pela descoberta. Logo, permitam-me que, deste fórum, faça apelo aos candidatos ao estatuto de jovens cientistas, inscritos no programa de Iniciação Científica da Uni-CV, à responsabilidade que lhes incumbe na construção de uma autêntica comunidade científica nacional. Um terceiro motivo que me faz agradado em estar aqui a presidir este acto é que este programa de iniciação científica irmana a nossa universidade pública, ainda jovem, com as suas congéneres estrangeiras, neste caso, brasileiras. Assim, saúdo a presença dos professores e investigadores brasileiros, com entusiasmo e muita esperança na cooperação científica com as universidades do Brasil. Estou certo de que a experiência que os contemplados do programa tiveram em diversas universidades brasileiras, durante os meses de Agosto e Setembro, foi de extrema importância, não apenas para os próprios como também para a própria Uni-CV. Pois, são universidades que, através dos seus estudantes, se põem em contacto, iniciando ou aprofundando os laços de cooperação. De resto, no mundo actual, investigação científica e cooperação científica são realidades cada vez mais interdependentes e imprescindíveis. A meu ver, é preciso agir e perseverar no sentido de facilitar o acesso e a partilha dos saberes científicos modernos. Só assim será possível vencer os deficits científicos e tecnológicos existentes em vários países e em vários campos, como é caso cabo-verdiano, e abrir novos horizontes para os povos a que digam respeito. Caros Amigos e Amigas, Cabo Verde é, para todos nós, um desafio permanente: desafio à imaginação e criatividade, na busca de soluções para os problemas fundamentais e para os problemas do dia-a-dia, com que nos confrontamos.Para materializar esta ambição, precisamos de dispor de uma comunidade académica e científica determinada a assumir o desafio que conduz à criatividade e à inovação. Enfim, desafio à aquisição e apropriação do conhecimento e dos saberes teóricos e práticos, modernos. Cabe-nos dar resposta à pergunta: como superar o défice tecnológico e científico de que Cabo Verde é portador? Esta é, creio eu, a ambição que nos move a todos. Certamente será pela criação de uma competência científica endógena, capaz de pensar o país e de assumir o seu desenvolvimento e modernização. Desenvolvimento, compreendido nas suas várias vertentes: económica, cultural, institucional, científica e tecnológica.Como vencer as diversas dependências de Cabo Verde, em que outros pensam por nós? [Afinal, “os discursos de segunda mão”]. Certamente, como se tem feito, apostando na Educação, na Formação e na Investigação, enfim, na aquisição de conhecimentos pertinentes e de utilidade social. Outrossim, não se pode reclamar da modernidade sem dispor de uma comunidade académica e científica, capacitada, comprometida e empenhada. Neste aspecto, urge mudar de atitude face à necessidade do pleno domínio do conhecimento, da ciência e da tecnologia e, simultaneamente, estimular a geração de uma massa crítica capaz de desenvolver sinergias entre os seus membros e instituições. O segredo poderá passar por aí.Tudo isto requer um ambiente social que estimula, valoriza e confere prestígio e atractividade à vida académica e à investigação científica, acompanhado, é certo, de políticas apropriadas e incentivadoras. Porém, nada substitui o empenho pessoal e o sentido de responsabilidade de cada um de nós. Impõe-se dar igual atenção à afirmação de uma cultura de responsabilidade, individual e colectiva, no seio da sociedade cabo-verdiana. Devo dizer-vos que me aflige a preponderância nos países subdesenvolvidos, em que vejo Cabo Verde, de uma atitude de consumidor despreocupado, consumidor de bens, de ideias e de opiniões, por parte dos seus cidadãos. Ora, é essa atitude de abdicação que é preciso combater e substituir por uma atitude proactiva, de criador, de produtor, e de inovador, em busca de novidades e de conhecimentos e técnicas que permitem saber mais, produzir mais e melhor, melhorar as condições e a qualidade de vida dos cabo-verdianos e assegurar o progresso contínuo do país. Nesta perspectiva, a Universidade Pública constitui o núcleo central e o arranque determinante, no caminho certo. Estou convencido de que, com empenho e determinação, vamos ganhar o desafio do conhecimento, da inovação e da criatividade. Por todas essas razões, saúdo o vosso Primeiro Congresso de Iniciação Científica e auguro a todos quantos nele participam um trabalho profícuo e repleto de resultados estimulantes. Muito obrigado! |
O equilíbrio mundial depende, ainda e em grande medida, da resolução dos contenciosos complicados que afectam o "eixo de crise" que vai da Palestina ao Paquistão, passando pelo Iraque, Afeganistão e Irão, sem, contudo, subestimar o "eixo africano" de Darfur à Somália. - Pedro de Verona Rodrigues Pires |
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